Oitenta e Noventista.
Pé no chão, bola de gude,
pimbarra, esconde-esconde, soltar pipa, golzinho, queimado, desenho animado na
TV, músicas engraçadas nas rádios…
Vemos uma criança feliz correndo
atrás de uma bola: inocente em todas as circunstâncias. Por trás dessa inocência se enxerga, muitas
vezes, um comportamento exemplar que existia simplesmente por temer uma surra
dos pais e a tentativa de ser um dos melhores da turma, pelo mesmo motivo.
O tempo a faz questionar muitas coisas
e às vezes obter respostas sem embasamento algum, advindas da mais pura
ignorância ou pela falta de paciência daqueles que lhe respondem. Os medos eram
muitos: Homem do saco, Big-lôra, Cadeirudo, Cuca, Lendas Urbanas do Gugu,
dentre outros medos fabricados.
A ignorância, com pitadas da normal inocência
infantil, não deixavam essa criança se questionar sobre a lógica da formação
desses personagens. Entende-se: Eram assustadores!
Quase nada se sabe sobre eles,
como chegaram até ali e por que fazem isso?
E assim se tratava tudo que não
se conhecia direito naquele tempo: com medo, preconceito e falta de empatia.
Apesar da ignorância ao tratar de
certos temas, eram tempos felizes. Pouco se sabia, muito se devaneava. E é
dentro desses devaneios que a TV, a música e o cinema ganham espaço. A TV e o
cinema mostravam aquilo que ela deveria ser, e o que não deveria ser, os rádios
tocavam músicas coloridas, recheadas de estereótipos, anfibologia e assuntos
delicados nas entrelinhas.
Pé no chão, bola de gude,
esconde-esconde, a TV, o Cinema e o rádio que reforçam os medos, falta de
empatia e preconceito: Eis aqui a formação dessa criança, que hoje adulta,
lembra de tudo isso com um quê de nostalgia e superioriza sua formação ao se
autodenominar “raíz” rebaixando uma nova geração, chamada por ele de “Nutella”.
Texto: Pedro Henrique
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